Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween

É um facto, o Halloween nada me diz. Nadinha. É um evento de que só me apercebi, em terras lusas, nos últimos anos. Na minha infância e juventude o Halloween era apenas uma festa longínqua que os norte-americanos festejavam (e da qual sabíamos pelas séries e filmes).
Não tenho nada contra o imaginário em causa - fui aliás uma fervorosa leitora das Brumas de Avalon na minha adolescência. Mas é uma coisa tão... importada que me passa totalmente ao lado. Às vezes são os pequenos que nos puxam para "novas tradições", mas por acaso por aqui nem eles são muito ligados ao acontecimento. Na escola dos mais novos a lembrança nesse dia ainda se chama pão por Deus. Apesar de eu não ser também muito ligada a essa tradição pelo menos é mais nossa - e recorda os tempos difíceis em que o pão por Deus dava um acréscimo relevante aos bens alimentares muitas vezes tão limitados. Realidades distantes que às vezes reconquistam actualidade. Mas hoje ninguém tocou a pedir pão por Deus. Nem tricks or treats. 

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